O que aconteceu
Caiu líquido no notebook, e ele deixou de ligar. Com a placa-mãe fora da carcaça, os sinais ficaram evidentes: manchas de corrosão e resíduos secos em várias regiões, inclusive perto do processador.
O que o líquido faz com a placa-mãe
Água, café ou refrigerante conduzem eletricidade e deixam sais e açúcares quando secam. Com o notebook ligado ou com a bateria conectada, isso cria caminhos de corrente onde não deveria haver e acelera a oxidação dos terminais dos componentes. O resultado aparece de duas formas:
- falha imediata, quando um curto queima um componente na hora;
- falha progressiva, quando a corrosão vai interrompendo trilhas e soldas nos dias seguintes, às vezes depois de o notebook ter voltado a funcionar.
Por isso é comum um mesmo acidente causar vários defeitos independentes, como neste caso. Saiba o que fazer logo depois do acidente em notebook molhou: o que fazer e como a corrosão age em oxidação na placa-mãe.
Os três defeitos encontrados
A placa-mãe é a revisão F do projeto usado nesta linha. O diagnóstico seguiu a ordem em que as tensões são geradas, e cada etapa revelou uma falha:
- Faltava a alimentação de entrada (VIN) do controlador PWM da GPU, o circuito que gera a tensão da placa de vídeo.
- Faltava o VIN do PWM da memória, que gera a tensão da RAM.
- A placa não gerava VCORE, a tensão do processador. Esse foi o mais difícil de encontrar.
VIN, PWM e VCORE: como a placa gera as tensões
A placa-mãe recebe uma tensão única, do carregador ou da bateria, e a converte em várias tensões menores. Cada conversão tem um controlador PWM, que comanda transistores de potência (MOSFETs ou DrMOS, que reúnem os transistores e o driver num só componente). O VIN é a tensão de entrada desses circuitos: sem ela, o PWM não tem o que converter.
O VCORE é a tensão do núcleo do processador. Ele não é ligado automaticamente: o controlador só começa a trabalhar quando recebe sinais de habilitação, que confirmam que as etapas anteriores estão estáveis. Esse encadeamento é chamado de sequência de energização. Veja mais em MOSFET na placa-mãe.
A falha que travava o VCORE
O PWM primário do VCORE e os DrMOS estavam com as tensões corretas, ou seja, o circuito de potência estava pronto. O que faltava era uma habilitação: o sinal PCH Power OK, que sai de um CI de porta lógica AND.
Uma porta AND só coloca a saída em nível alto quando todas as entradas estão em nível alto. Na medição, as duas entradas tinham 3 V, mas a saída ficava em 0 V. Com essa saída travada em zero, o processador nunca recebia a autorização para ligar o VCORE. Corrigir essa falha foi a solução final que liberou a tensão.
Por que esse tipo de defeito é difícil de achar
Quando uma tensão falta, o primeiro suspeito é o circuito que a gera. Aqui, porém, todo o circuito do VCORE estava bom. A falha estava num componente pequeno e barato, fora da área de energia, que apenas autoriza o funcionamento. Encontrar esse tipo de defeito exige conhecer a sequência de energização da placa e seguir os sinais com o boardview (o mapa de componentes) e o esquema elétrico, medindo ponto a ponto.
Em placas que tiveram contato com líquido, sinais de baixa corrente como esse são especialmente vulneráveis: um pouco de corrosão num terminal basta para travar a lógica, sem nenhuma marca de queima. Veja como funciona o conserto de placa-mãe.
Resultado
Com os três circuitos reparados, o Acer Nitro V15 voltou a ligar e chegou à tela de bloqueio do Windows.
Para outros cuidados com a linha, veja a manutenção de notebook Acer Nitro e o conserto de notebook na WorkNote.


