O defeito
O problema estava na linha de 5 V da placa-mãe: um capacitor em curto. Em geral, um curto numa linha de alimentação impede que a tensão daquela linha se estabeleça, e o notebook não completa a sequência de ligação.
O que é a linha de 5 V da placa-mãe
O carregador entrega uma tensão alta, em torno de 19 a 20 V. A placa-mãe converte essa tensão em várias linhas menores, cada uma alimentando um grupo de circuitos. A linha de 5 V costuma alimentar as portas USB e outros circuitos, além de servir de entrada para reguladores que geram tensões ainda menores.
Cada linha tem dezenas de pequenos capacitores de filtragem ligados entre a alimentação e o terra. Se um deles entra em curto, a linha inteira fica "presa" ao terra: o regulador desliga por proteção, ou tenta alimentar o curto e esquenta. Saiba mais em curto-circuito na placa-mãe do notebook.
Como o capacitor foi localizado
A placa foi retirada do notebook e alimentada por uma fonte externa, ligada à linha com problema. Nas fotos, dá para ver o fio soldado na placa e as garras de alimentação.
Com a placa alimentada, a câmera térmica mostrou um único ponto quente, bem destacado do resto da placa. Em três leituras, a temperatura máxima nesse ponto foi de 155,7 °C, 146,4 °C e 170,5 °C. Esse ponto levou ao capacitor em curto.
Por que a câmera térmica encontra o curto
Um componente em curto tem resistência muito baixa. Quando a linha recebe corrente, quase toda a energia passa por ele e vira calor bem no local do defeito. A técnica consiste em aplicar uma tensão baixa, com a corrente limitada pela fonte, e observar onde o calor aparece primeiro.
A limitação de corrente é o que torna o método seguro: sem ela, a mesma corrente poderia danificar trilhas e outros componentes. A câmera térmica só torna visível algo que acontece em segundos, e permite apontar um único capacitor entre dezenas idênticos na mesma linha.
Capacitores cerâmicos podem entrar em curto por trincas internas causadas por flexão da placa, impactos ou picos de tensão. Por fora, muitas vezes parecem perfeitos, e por isso a localização elétrica e térmica é tão importante.
Resultado: o notebook voltou a ligar
Depois da correção do componente, o notebook voltou a ligar e iniciou até a tela de recuperação do BitLocker do Windows, que pediu a chave de recuperação da unidade. A imagem dessa tela não foi publicada porque mostra dados de identificação.
Por que o BitLocker pediu a chave depois do reparo
O BitLocker criptografa o disco e confia num chip de segurança da placa-mãe (o TPM) para liberar o acesso automaticamente. Quando ele percebe uma mudança na configuração do computador — por exemplo, depois de intervenções na placa, de alterações no firmware ou de configurações do BIOS que voltaram ao padrão —, pede a chave de recuperação por segurança.
Isso não indica perda de dados. Com a chave, o Windows inicia normalmente. Em equipamentos pessoais, ela costuma ficar salva na conta Microsoft do usuário; em equipamentos corporativos, com o suporte de TI da empresa. Vale localizar essa chave antes de levar o notebook para qualquer reparo de placa.
Para outros defeitos de placa, veja quando vale a pena consertar a placa-mãe, a página de assistência técnica para notebook Lenovo e o conserto de notebook na WorkNote.


